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ARTIGO: Como escrever um artigo científico (Parte 2)

27 de julho de 2015

Precisa escrever um artigo científico e não sabe por onde começar? Calma, é nomal! Escrever  um artigo científico pode ser uma tarefa complicada quando não se conhece sua serventia e estrutura básica. A seguir, confira nossas dicas!


As dicas deste post servem como conselhos baseados em técnicas de redação de textos científicos. No entanto, nada substitui o auxílio de uma orientação acadêmica, estão este artigo não visa a formação de autodidatas, mas apenas auxiliar estudantes a iniciarem sua caminhada no mundo da publicação científica.

Artigo — Como escrever?

1. Introdução

Esta seção serve para informar ao leitor qual é a área do conhecimento onde seu artigo se insere, que problema geral ele aborda, que pergunta específica ele se propõe a responder, por que estudar esse tema, se é relevante, e que resultados esperava — É preciso deixar claro o que está tentando comprovar/medir/constatar.

Vá direto ao ponto e deixe clara a relevância do seu artigo e a que se propôs exatamente. O texto da introdução deve ter uma sequência lógica e terminar introduzindo suas pergutas, hipóteses e previsões. Portanto, a introdução deve ter a estrutura de um triângulo invertido: começando com o geral (contexto teórico) e indo até o particular (objetivo).

Não perca tempo descrevendo a área de estudo, pois na maioria das vezes isso é irrelevante. Ao falar sobre a área de estudo do artigo, concentre-se em explicar porque ele é um modelo de estudo para a pergunta escolhida.

2. Métodos

Nesta seção, o leitor deve entender como os métodos escolhidos ajudaram a responder as perguntas propostas. A função desta seção é permitir a replicabilidade do estudo, ou seja, permitir que alguém refaça e veja se chega a resultados similares.

Uma seção de métodos deve ser como uma receita de bolo: diga quais ingredientes usou e como os misturou, mas não perca tempo explicando como funciona uma batedeira — E lembre-se: um trabalho só pode ser considerado científico se for replicável e testável.

3. Resultados

É fundamental separar fatos de interpretações, por isso é importante diferenciar essa seção da discussão. Nesta seção, relate apenas os resultados obtidos, ou seja, os fatos observados.

Não compare seus resultados com o de outros estudos e nem os interprete. Só inclua tabelas e figuras que realmente ajudem a entender seu trabalho e ilustrem coisas difíceis de explicar com texto corrido — Dê atenção especial às figuras e faça os gráficos da maneira mais limpa possível; exclua as informações desnecessárias.

4. Discussão

Nesta seção, apresente suas interpretações para os resultados e argumente sobre sua validade. A discussão é o cerne do artigo, o argumento novo apresentado: todo o resto serve para fundamentá-la. Os principais tipos de raciocínio que você deve usar para redigir essa seção são a dedução e a indução.

Dedução é quando você diz que, partindo de duas ou mais premissas, necessariamente se chega a uma dada conclusão. Indução é quando você usa as mesmas características de uma amostra para dizer quais são as características do universo de interesse como um todo.

Comece a discussão contando o que foi observado de mais importante no seu estudo. No primeiro parágrafo, faça um pequeno resumo sobre suas principais interpretações e diga o que discutirá com mais profundidade — Fisgue seu leitor com afirmações interessantes.

Todo trabalho tem suas limitações e elas devem ser relatadas, mas sem muita enfâse. Por outro lado, se o seu artigo tem limitações demais, talvez seja melhor não publicá-lo: refaça-o!

Não apresente novamente os resultados do artigo. Discuta se o padrão geral deles corrobora ou não suas hipóteses de trabalho. Não compare detalhes do seu artigo com os de outros estudos. Compare apenas os padrões gerais, quando necessário, para poder discutir quão gerais são esses padrões. Resultados contrários aos esperados não desmerecem sua pesquisa, desde que você esteja seguro de ter feito boas perguntas, boas previsões e usado métodos adequados.

Por fim, suas conclusões devem estar baseadas no seu artigo, jamais compare com outros trabalhos — A não ser que essa seja a intenção da sua pesquisa. Sugira linhas de investigação futuras, propondo claramente novas hipóteses que aprofundem o tema.

5. Referências

Nesta seção, liste todos os trabalhos, livros, artigos… tudo o que for citado na sua pesquisa. Siga o formato da sua instituição de ensino ou da revista onde pretende publicar seu artigo. Se você souber utilizar softwares bibliográficos (por exemplo, Mendeley, EndNote, Reference Manager, Zotero, BibTeX, entre outros), não hesite em empregá-los para construir as citações e a lista de referências.

6. Último Passo

Por fim, quando achar que o seu artigo está pronto, deixe-o na gaveta por uma semana ou mais. Pegue-o depois para revisar — Charles Darwin disse, em sua autobiografia, que após algum distanciamento nos tornamos ótimos revisores dos nossos próprios trabalhos.

Após essa sua revisão, peça a opinião de um colega de confiança, de preferência, mais experiente e que:

1. Seja bom na área e bem crítico;
2. Não seja invejoso e vaidoso demais;
3. Não roube suas ideias.

Confira a "Parte 1" deste post, aqui.


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Artigo — Apoio Acadêmico

* Adaptado de Sobrevivendo na Ciência