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TRABALHOS: O que são trabalhos científicos originais?

4 de agosto de 2015

Chegou a hora de tratar de um tema estressante para muitos estudantes: a originalidade de trabalhos científicos. Muitos só começam a se preocupar com os trabalhos no doutorado! Porém, os trabalhos originais deveriam ser cobrados desde o início da graduação. Mas por quê? A seguir, saiba mais sobre os conceitos de originalidade acadêmica.


Como comentado em outro post, a originalidade é a principal diferença entre uma monografia de bacharelado (também conhecida como TCC), uma dissertação de mestrado e uma tese de doutorado. Enquanto nos dois primeiros níveis não é necessário apresentar um trabalho original, no último a originalidade é uma condição obrigatória.

No geral, isso significa que em uma monografia e/ou dissertação, não é necessário gerar conhecimento novo; basta resumir o conhecimento acumulado sobre um tema de sua escolha, muitas vezes sem incluir ao menos sua própria opinião. Já no doutorado o aluno é obrigado a apresentar uma novidade, senão seu trabalho não pode ser chamado de tese. Mas, e o que garante a originalidade de trabalhos de conclusão? Como difereciar entre novidades e "mais do mesmo"?

Essas perguntas não são tão fáceis de responder. A definição da originalidade de trabalhos científicos depende basicamente do nível de rigor do curso de pós-graduação, da postura do orientador e da ambição do aluno. Além disso, em muitos cursos de pós-graduação na América Latina, como no Brasil e na Argentina, para uma tese ser considerada original é preciso muito pouco — Por exemplo, o doutorando pode simplesmente tomar como base um trabalho que ache interessante e aí mudar seu foco ou a área de estudo, repetindo todo o resto da fórmula, e mesmo assim sua tese poderá ser aprovada.

Já em países como EUA e Alemanha, um aluno de doutorado precisa ter uma nova ideia e testá-la para que o seu trabalho possa ser chamado de tese. Isso não significa que os trabalhos não possam ser baseados em estudos anteriores: pode ser que se descubram novidades a partir de trabalhos descritivos.

No entanto, nos países desenvolvidos é possível encontrar teses brilhantes que, na verdade, saíram da cabeça do orientador. O orientador pensa de forma integrada em vários projetos, em diferentes níveis e numa escala de tempo grande, e apenas contrata doutorandos que trabalham testando suas ideias — Nesses casos, qual é a relevância de uma tese dessas para a formação de um cientista? Por outro lado, há orientadores em países subdesenvolvidos que trabalham muito mais em termos de criatividade e originalidade e, além disso, treinam seus alunos corretamente.

Mas é comum nos países subdesenvolvidos a falta de treinamento no método hipotético-dedutivo, o que leva vários orientadores e alunos a seguirem pelo lado confortável de "comporar só por comparar" e "descrever só por descrever". Além disso, considerando que a formação de profissionais/cientistas deveria ser focada no aprendizado do método hipotético-dedutivo (além de outras habilidades básicas, como a comunicação escrita e oral), chega-se à conclusão de que mesmo uma monografia de bacharelado deveria ser baseada em uma pergunta original.

A diferença entre os trabalhos de conclusão exigidos nos diferentes níveis acadêmicos deveria ser o grau de complexidade e aprofundamento, e não a originalidade. Desde a graduação, os alunos precisam aprender a encontrar e processar conhecimento com o objetivo de produzir novidades.


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* Adaptado de Sobrevivendo na Ciência